terça-feira, 20 de setembro de 2011

Considerações de teoria e revolução



     O Marxismo pode ser tomado como a mais importante referência teórica e ideológica dos movimentos operários e socialistas. Ele tirou de cena as diferentes seitas doutrinárias que propagavam o modelo de sociedade ideal, propondo uma base comum ao movimento operário. 
     Os comunistas não são um outro partido operário, não separa o proletário, eles só se distinguem em dois pontos:

1º Fazem prevalecer os interesses dos proletários independentes de nacionalidade;

2º Nos embates entre burgueses e proletários, os comunistas representam os interesses do movimento em seu conjunto.

     Nascia assim uma teoria vinculada as próprias experiências do movimento operário.

     Hoje vivemos um antagonismo onde Chefes de Estado demonizam seus camaradas de outra nação ou partidos como "agentes da burguesia". 
     Por exemplo, o marxismo soviético era a degeneração do pensamento de Marx.

     Marx rechaça a constituição de uma lógica a priori, de um método formulado antes da história, este tem que ser afetado por uma alteração na concepção da realidade material da qual deriva.
     O método pode sofrer retificações, releituras a partir da realidade percebida.
      
     "O marxismo está em crise porque há uma crise do movimento operário." A. Gorz no livro "Adeus proletariado"
     Segundo C.Castariadis, a história do movimentos operário aparece para nós vinculada a questão política da transformação social, vinculo feito pelo próprio de marxismo.
     O tempo de Marx foi denominado por E. Hobsbawn como a "era das revoluções". Podemos destacar aqui as duas mais importantes:

1º Revolução Industrial: Acarretou um crescimento das cidades até então, inédito, uma intensa transformação de todas as relações sociais e o aparecimento das novas formas de lutas de classes, um ritmo de modernizações tecnológicas que parecia anunciar um ininterrupta mudança nas condições de vida e trabalho.

2º Revolução Francesa: Através de uma insurreição popular derrubou um regime e erigiu um novo Estado, desde o qual promoveram mudanças radicais na organização política e social da França.

     Época que demonstrava o triunfo da razão e do progresso. O homem se entendia como o controlador da natureza

     A primeira definição de Comunismo do jovem Marx:

     " O comunismo como superação positiva da propriedade privada, enquanto auto-alienação do homem, e por isso como apropriação efetiva da essência humana através do homem a si enquanto homem social, isto é, humano; retorno acabado, consciente e que veio a ser no interior de toda a riqueza do desenvolvimento até o presente (...) é a verdadeira solução do antagonismo entre o homem e a natureza, entre o homem e o homem, a resolução definitiva do conflito entre existência e essência, entre objetivação e auto-afirmação, entre liberdade e necessidade, entre individuo e gênero. É o enigma resolvido da história e se conhece como esta solução." ( Manuscrito Econômicos-Filosóficos)

     Marx produziu algo que se projetou além dele.

    Relacionado a filosofia Marx diz: " Os filósofos se limitaram a interpelar o mundo diferentemente, cabe transformá-lo"
    É em função da prática social transformadora que Marx elabora sua teoria. Ele queria combater as teses idealistas segundo as quais o mundo material decorria da atividade espiritual.
     Marx alterou o papel da teoria tomando-a como elemento da práxis social, ele lançou uma ponte entre a "objetividade científica" e a "vontade política".
     No lugar do pensamento especulativo e da prática inconsciente, o marxismo anuncia um modo de pensar que é inseparável do fazer coletivo, pelo qual um movimento social se constitui ao pretender  mudar o mundo.

SANDER, Eder. Marxismo e teoria da revolução proletária. São Paulo: Ática, 1986

sábado, 17 de setembro de 2011

A Interpretação Econômica da história

  

    Estaremos refletindo aqui sobre as reflexões realizavadas por Raymond Aron no seu livro " O marxismo de Marx ".

  No texto do prefácio de "Crítica da economia política", habitam as idéias essenciais da interpretação econômica da história, entretanto, a noção de classes e o conceito de luta de classes aperecem aqui explicitamente.
   Segue abaixo as posições do prefácio do livro supracitado:

1. Os homens entram em determinadas relações necessárias e que são independentes de sua vontade. Relações sociais que se impõem ao indivíduo.

2. A sociedade se divide em: Infra-estrutura e Superestrutura. Como Infra-estrutura compreende, essencialmente, forças e relações de produção e, quanto, a Superestrutura, figuram as instituições políticas, mesmo tempo que as maneiras, as ideologias e as filosofias. Base Econômica: Infra-estrutura e Superestrutura.

3. O propulsor do movimento histórico é a contradição, em certos momentos do devir, entre forças e relações de produção. A dialética da história se constitui prlo movimento das forças produtivas.

4. Na contradição entre forças e relações de produção é fácil introduzir a luta de classes.

5. A dialética das forças e das relações de produção sugere uma teoria das revoluções. De fato, nessa visão da história, as revoluções não são acidentes políticos,  mas expressão de uma sociedade histórica. Marx entendia que como no seio da sociedade feudal desenvolveu o capitalismo, a nossa sociedade poderia e deveria passar do capitalismo para o socialismo.

6. Não é a consciência dos homens que determina a realidade, mas é a realidade que determina sua consciência. Daí, então, uma concepção de conjunto, segundo a qual se deve explicar a maneira de pensar dos homens pela relações sociais em que estão integrados. 

7. O último tema: Marx fez o esboço das etapas da história humana.

     Marx distinguiu as etapas históricas humana a partir dos regimes econômicos, ou modos de produção, que denominou como: asiático, antigo, feudal e burguês. Que, por sua vez, se distinguem em dois blocos.
      De um lado o bloco que podemos designar aqui como do Ocidente, ou seja, Antigo, Feudal e Burguês.
  • Antigo - caracterizado pela escravidão
  • Feudal - caracterizado pela servidão
  • Burguês - caracterizado pelo assalariado.
        O outro bloco é a asiático (Oriente)
  • Este não parece definir-se pela subordinação dos escravos, dos servos ou assalariados a uma classe possuidora dos instrumentos de produção, mas pela subordinação de todos os trabalhadores ao Estado. Sendo assim, a estrutura social não estaria caracterizada pela luta de classes, no sentido ocidental do termo, mas pela exploração da sociedade inteira pelo Estado ou pela classe burocrática.
     É bom ressaltarmos aqui que Lenin temia uma revolução socialista que desembocasse não no fim da exploração do homem pelo homem, mas no modo de produção asiático.
 
      Sendo assim, poderia se dizer que não há unidade no processo histórico? Se o modo de produção asiático caracteriza uma civilização distinta da ocidental, há a probabilidade de diversas linhas de evolução histórica de acordo com os grupos humanos.